Liberdade, Caráter, Escolhas e Destino Humano – Resenha de O Grande Abismo (The Great Divorce) – C.S Lewis. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1986, 2a. edição.

A partir de dezembro 2005, com o primeiro filme da série Crônicas de Nárnia estreando no Brasil, o grande público tem a oportunidade de se aproximar das obras Clive Staples Lewis. C.S.Lewis nasceu em 29 de novembro de1898, num subúrbio de Belfast, Irlanda e faleceu em 23 de novembro1963 em Oxford, Inglaterra, no mesmo dia do assassinato de John Kennedy. Foi professor em duas das mais prestigiadas instituições da Inglaterra: na Universidade de Oxford, de 1925 a 1954 e de 1954 a 1963 na Universidade de Cambridge. É referência entre grandes autores e teólogos protestantes do século XX. Sua formação erudita mostra influências de Platão, Agostinho, Dante, Milton, George Mac Donald, Tolkien. Este último, católico devoto, célebre autor da série Senhor dos Anéis lhe aproximou decididamente do Deus cristão.

No O Grande Abismo, o autor inicia com um alerta de que se trata de um exercício de imaginação sem pretensão de “despertar curiosidade fatual quanto aos detalhes da vida pós-morte” (1986, p5) . No décimo quarto e último capítulo, concluindo seus diálogos e observações dos diálogos entre Fantasmas dos humanos nas regiões do Vale da Sombra da Morte e na Sombra da Vida com o Espírito e diversos Anjos, renova a advertência: “Não peça a uma visão num sonho mais do que ela pode dar-lhe… Se vier a contar que viu, deixe bem claro que não passou de um sonho. Não dê a qualquer tolo o pretexto de pensar que você está alegando ter conhecimento daquilo que mortal algum conhece. Não quero mentirosos entre os meus filhos”(1986, p.91). Avisos compreensíveis já que muitos, piedosos mas pretensiosamente, se aventuram sistematizar e programar eventos escatológicos.

EM C.S.Lewis reage à obra do romântico William Blake (1757 – 1827) “O casamento do Céu e do Inferno” ponderando que admitir uma reconciliação entre estas duas realidades, com todas as estradas conduzindo para o mesmo centro como “desastrosa”. Pelo contrário, escreve, “estamos num mundo em que cada estrada…se divide em duas, e em cada encruzilhada você tem de tomar uma decisão. Mesmo no nível biológico a vida não corre como um rio e sim se desenvolve como uma árvore” (1986, p.3). Sua narrativa ficcional fala da vida como uma grande viagem, em que as atitudes e escolhas que assumimos em nossos relacionamentos com os demais vão determinando nosso modo de ser com conseqüências eternas. Um duro golpe no universalismo teológico que, independente das escolhas das pessoas, salva a todos indistinta e compulsoriamente. O Grande Abismo é visto como a Divina Comédia de Lewis pela crítica literária Kathryn Lindskoog.

No O Grande Abismo, têm-se diversos tipos humanos como Fantasmas deixando transparecer sinteticamente a natureza das situações relacionais e dramas existenciais, os debates de cada um com a própria consciência ou com o Destino, o Sistema, em diálogo com Anjos Luminosos e com o Espírito que se empenham em encaminha-los à uma consciência depurada de erros, de auto-justificativas e ilusões. Como num antigo filme tcheco, Um dia, um gato*, em que as pessoas assumem cores específicas de acordo com a paixão que os domina numa constrangedora auto-revelação, em O Grande Abismo as pessoas, homens e mulheres, se encontram possuídas por paixões irracionais que governam suas razões, orientam suas vidas e determinam seu destino.

A viagem para as regiões do entretempo do inferno e do céu, região das sombras da morte e das sombras da vida, pode ser entendida como o campo da consciência, campo de batalha por excelência. Viagem desde o início marcado por xingamentos, competição, isolacionismo, sopapos, de seres incapazes de convivência, prisioneiros de si mesmos. Uma amostra nua e crua da natureza humana como no Ensaio da Cegueira de José Saramago. Saramago, ateu militante, numa lógica brilhante conduz seus cegos personagens a progressiva perda de lucidez, resultando na destruição da vida civilizada, um pequeno mundo caotizado numa infernal latrina entupida, por ter desaparecido qualquer transcendência, virtude social e traço de dignidade humana, com sujeitos entregues à própria ambição de sobrevivência. “Constroem” um lugar sem a assepsia do inferno bíblico!

Os personagens que convivem e se debatem no Grande Abismo tipificam algumas de nossas mais comuns emoções, manias, obsessões, e desastrosas certezas. Fantasmas de intelectualizados e sofisticados, mães possessivas, poeta, comunista (na época de Lewis, um tipo muito em voga e respeitado) o livre pensador, o religioso, o cético, a auto-centrada que não pensa nada além de si mesma, pregadores, teólogo, o pigmeu e o trágico e sensual, e quem escolhe a própria infelicidade. Cada um esteve diante de oportunidades de re-visão, chamado a iniciar uma nova direção, pelo desapego de antigas posições. O fenômeno psíquico, a dinâmica psicológica pode obstruir ou cooperar com a dinâmica sagrada, com o chamamento do Espírito. Este utiliza acontecimentos inesperados, nossos acasos, de incidentes, fala-nos através de eventos insólitos (como na aparição de uma manada de unicórnios guerreiros (1986, p.46), e mesmo de obviedades cotidianas. Mais do que isto seria robotizar o humano. É preciso que “quem tem olhos, que veja, e quem tem ouvidos, que ouça!”; homem e mulher respondem com sua liberdade de ser e não-ser. Impressionante a tensão dialética da Graça de Deus e da Liberdade humana!

Teremos discussões que ilustram questões teológicas que opõem liberais e conservadores, com Lewis mostrando o alcance e as insuficiências de cada uma. “…por amor à sua alma, lembre-se. Você sabe que nós jogávamos com dados viciados. Não queríamos que o outro fosse sincero. Tínhamos medo da salvação sem disfarces, temíamos um rompimento com o espírito da época, sentíamos aversão pelo ridículo e, (acima de tudo) tínhamos medo de nossos temores e esperanças espirituais” (1986, p.29). Para quem se aferra à convicção de que o que vale é a sinceridade, o alerta de que “embora as crenças sejam sinceras no sentido de acontecimento psicológico na mente humana…os erros sinceros…não são inocentes”(1986 p.31). O que se aplica aos que gostam de “revelações” de um caminho evolutivo trazida por algum médium. Encontraremos ainda o teólogo para quem Deus se resume a uma questão gramatical e o (artista ou filósofo) que ama mais a representação do que o representado.

Através dos diálogos vão sendo expostas certas representações de deus como o deus conveniente, bonachão, o metafísico, sem força nem realidade para intervir na História. Lewis critica assim o espírito de sua época (e da nossa) que iria rejeitar totalmente a idéia cristã do Deus Pessoal, Senhor da Criação, não manipulável, que quebra as ilusões e nos chama à Realidade. Tema que reaparecerá nas Crônicas de Nárnia, especialmente na última, A Última Batalha. Prosseguindo a viagem têm-se imagens das proximidades do Céu que destacam uma nova materialidade e a inadequação de nossos sentidos para contata-los e desfrutá-la. Brilhos e cores exuberantes, consistências, texturas e perfumes superlativos, numa natureza que nos surpreende magicamente. Assim compreende-se como nossas tentativas de conhecimento natural de realidades espirituais ou das realidades futuras revelam a inadequação dos recursos de que dispomos. Somos atraídos a este conhecimento; insistentemente os humanos buscam antecipações do Outro Lugar, outro Lar, a u-topia. O Reino dos Céus é a Eu-topia Superior, revelada, que se ergue distinta das várias u-topias construídas. Mas como acessá-lo se não for pelo Caminho que desceu do Céu, como na escada de Jacó?

Os que entraram em acordo com a Providência descobrem posteriormente que saíram da miragem, deixaram o passado e adentraram à Realidade, livrando-se da limitação e atração enganosa dos sentidos e dos hábitos.

O Caminho para a Realidade Eterna passa pela renuncia à antiga vida, a resistência aos hábitos pecaminosos, a despir-se das velhas roupagens dos hábitos e da cultura, das racionalizações autojustificadoras. Assim com certos desejos profundos e certas inclinações involuntárias que aprisionam no passado e impedem o futuro. É o caso de um lagarto grudado num Fantasma, próximo ao seu ouvido, que atua reforçando-lhe a velha natureza corrompida, sussurrando-lhe propostas e descaminhos. A natureza réptil tem que morrer para ser transformada, numa necessária metamorfose. Aos poucos surge um belo e forte cavalo: “…Nada, nem mesmo o que é mais inferior e mais bestial, deixará de ser ressuscitado se se submeter à morte. O corpo natural é semeado, o espiritual ressuscitado.. Carne e sangue não poderão subir as montanhas … pela sua fraqueza. O que é um lagarto comparado a um garanhão”?

No que parece uma categoria agostiniana para quem o mal é insubstancial, conclue-se que, diante do bem, “o mal não teria peso algum com que possa ser registrado, mesmo diante do menor momento de gozo sentido pelo menor de todos no céu. O mal não pode ter êxito mesmo em ser mau, com tanta realidade como o bem é bom” (1986, p.88). O trágico fim da alma encolhida e fechada em si mesma, que resiste aos apelos da consciência e da Graça é a morte eterna, de livre escolha. Tanto o universalismo que compulsoriamente salva a todos como a Predestinação que anula a liberdade são confrontados com uma verdade mais profunda: não se pode conhecer a realidade eterna por meio de uma definição. Toda tentativa de vislumbrar a forma da eternidade exceto através da lente do tempo destrói o seu conhecimento da liberdade (1986, p.90). Vale repetir: será tolice supor que se possua qualquer conhecimento daquilo que mortal algum conhece. Despertai do sonho!

De C.S.Lewis temos no Brasil: Perelandra e Longe do Planeta Silencioso duas ficções sobre um outro mundo sem o efeito da Queda pela Ed. Co-lab; Cristianismo Básico (Cristianismo puro e simples ) e As Crônicas de Nárnia pela ABU Editora, Milagres, O Problema do sofrimento, Cartas do Coisa Ruim (ou Cartas do Inferno), Os Quatro Amores e O Grande Abismo pela Editora Mundo Cristão. A série das Crônicas de Nárnia inicialmente pela ABU Editora e agora pela Martins Fontes. Recentemente Deus em Questão que compara as biografias e percursos intelectuais e espirituais de Freud e Lewis foi lançado pela Editora Ultimato. Para amplo acesso ao universo C.S.Lewis tem-se o site http://cslewisbrasil.org/ dirigido pela Profa Dra. Gabriele Greggersen, de Londrina, PR, tradutora de Deus em Questão, que remete a muitos outros materiais, sites, estudos e biografias.

Março de 2006.

 

*Um dia, um gato,  Vojtech Jasny 1964.

https://br.search.yahoo.com/yhs/search?hspart=avast&hsimp=yhs-brwsr001&type=osf01s1&p=Um+dia%2C+um+gato%2C+filme

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-93097/

Sobre o Autor

Ageu Heringer Lisboa, é psicólogo autor do livro “Sexo, desnudamento e mistério” pela Editora Ultimato. Coordena a Clínica de Pais – programa de encontros com pais onde são tratados temas como paternidade, construção de identidade, sexualidades contemporâneas e espiritualidade bíblica, novas configurações familiares e criação de filhos. ageuhl@gmail.com

Fonte: http://www.verdestrigos.org/sitenovo/site/cronica_ver.asp?id=916 captado em 05/08/2017, 12:18

 

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Castas, rigor da lei e humanização

https://democraciaja.wordpress.com/2015/05/09/castas-rigor-da-lei-humanizacao-de-prisoes-por-ageu-heringer-lisboa/

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Jesus e a crise política de seu tempo

No conturbado contexto político e religioso de sua época, Jesus, batizado e introduzido na arena pública pelo destemido profeta João Batista, um típico místico retirante essênio, agrupou e conviveu com discípulos tensionados na disputa de visões e estratégias entre vários partidos. Não era fácil compreender e agir naquele tempo em relação aos poderes dominantes e em luta! Lá estavam os conservadores fariseus e os liberais saduceus, a elite sacerdotal incomodada com o estilo de vida e a mensagem de Jesus.  Algumas vezes aliados aos fariseus, um grupo mais laico dava suporte e governabilidade aos prepostos dos dominadores romanos: os herodianos (Mc 3.6; 12.13). Não é certa a filiação de Judas. Este parece que jogava com os vários grupos. Com um discurso pretensamente social, teve certa influência sobre alguns dos colegas como se vê na reação deles à sua murmuração sobre a unção dos pés de Jesus com um caro perfume, realizado por Maria (Jo 12.1-8; Mt 26.6-12; Mc 14.4-9). Na verdade descobriu-se que era um corrupto, amante do dinheiro e mercenário que entregou  Jesus a  líderes judeus que agiam articulados com autoridades romanas (Mc. 14. 10,11; Jo 12.4,5,6).

Contrapondo-se aos relativamente integrados ao sistema imperial  irrompem os zelosos radicais nacionalistas “zelotes”, adeptos da resistência armada contra os romanos, pela autonomia judaica. Na listagem dos discípulos temos relacionado um Simão, o Zelote, além do Simão Pedro (Mc. 3,18). Certamente este zelote tornou-se fiel ao novo ensino do Reino que não se constrói com a espada. Mas Simão Pedro, uma personalidade impulsiva, quando num gesto instintivo para defesa de Jesus arrancou com a espada a orelha de Malco, servo do sumo sacerdote, atuou segundo o modelo dos resistentes zelotes. Foi repreendido por Jesus que restaurou a orelha ao ferido e proferiu a máxima: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” ( Mt 26.51-53; Lc 22.49-51; Jo 18.10,11).

Sumariamente julgado e condenado pelo Sinédrio, o senado judaico,  Jesus foi entregue à justiça romana. Pilatos não conhecia detalhes das leis e escatologia dos judeus ficando no fogo cruzado das acusações dos sacerdotes e a defesa insólita de Jesus que falava de um outro reino, e de seu testemunho da verdade (Jo 18.33-38). Por três  vezes afirmou a inocência  de Jesus, reforçado pela palavra de sua esposa que em sonho soubera ser Jesus justo (Mt 27.19, Lc. 23.13-25). Mesmo reconhecendo não haver razão para condená-lo, mostrou-se vulnerável no jogo político. Ao lavar suas mãos, entrou para a história como populista amedrontado (Mc. 15.15; Mt 27.24-26; ). Querendo se preservar no poder entregou  Jesus aos carrascos.

 

Ageu Heringer Lisboa,  psicólogo, 27/03/2016

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Antropologia Bíblica e cuidados com o humano necessitado

Antropologia Bíblica e cuidados com o humano necessitado. Espiritualidade e  trabalho. -Congresso CENPS – Campinas, Mackenzie, 17- outubro 2014

 

Introdução 1- Pacientes e profissionais – contexto e problema

Profissionais na área de saúde lidam com pessoas, grupos e comunidades – que se encontram sob uma particular situação adversa, com variados graus de incômodos e sofrimentos –  decorrentes  de múltiplos fatores biopsíquicos,  políticos, culturais, ambientais.

Pacientes, clientes e beneficiários dos cuidados terapêuticos conformam um complexo sistema relacional atravessado por questões administrativas, financeiras, legais, políticas públicas, éticas, familiares e espirituais.

Com a vivência e a consciência da vulnerabilidade biológica, da dependência de pessoas ou de artefatos, ocorrem processos de subjetivação com potencial de crescimento emocional/espiritual   ou, negativamente o risco de fixar-se em patologias existenciais.

Profissionais e pacientes são sujeitos e objetos da cultura e do contexto terapêutico, sujeitos com a marca do humano. Mas de que HUMANO  falamos?

 

Introdução 2- Questões de antropologia filosófica e teológica.

Que conceitos de  Humano [homem e mulher] presentes em nossas ciências e práticas?  Conversa com (Francis Schaeffer, Hans W. Wolff, Viktor Frankl, Paul Tournier, Carlos Hernández,  Marc-Alain Ouaknin, Dufour, Kursweill).

Debate imprescindível em nossa era pós-tudo, marcada pelo deslumbramento com os poderes tecnocientíficos e formas de comunicação massificadas.

Estamos num mundo e tempo qualitativamente distinto de todas as épocas: em plena Revolução Científica e explosão tecno-eletrônica.  Expansão para o infinitamente pequeno e infinitamente grande.  No mundo que afeta os humanos diretamente atingiu-se: o limite do tempo, com as comunicações instantâneas, em rede universal. Aboliu-se fusos horários e limites da noite/dia.  O absoluto da morte, no planeta, com as bombas nucleares.  Tempo de mutação filosófica e espiritual.

Rompe-se agora com as formas da dar origem a vida ou de prolongá-la com o sequenciamento do DNA, manipulação genética, próteses, concepções de bebês sem intercurso sexual. NOVAS IDENTIDADES reivindicam reconhecimentos e direitos. Do par heterossexual primordial Adão e Eva coexistimos com treze sexos com ajuda de técnicas médicas.

Partindo-se de colônias espaciais com robôs e humanos interagindo com robôs pretende-se colonizar planetas e ganhar o cosmo. Já convivemos com  Ciborg, homem-máquina com carne e chips, sai da ficção para nossas ruas. Raymond Kursweill (MIT), com suas máquinas espirituais, é pioneiro nesta área e defensor da eternização tecnológica dos humanos. Desenha-se alternativas para as “obsoletas estruturas biológicas” de que somos constituídos para  substituí-las por dispositivos inteligentes, autorecicláveis e não-contamináveis.  Na literatura tínhamos O médico e o monstro construindo o Frankstein; cientistas nazistas saíram da ficção testando diretamente em corpos de judeus opções para purificar e aprimorar a raça!

Francis Schaeffer criticava B. F.Skinner e sua teoria do condicionamento aplicado à educação e formatação de um novo mundo com humanos moldados num estado ideal  – Walden TWO – na utópica linha do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley com simulacros do humano, autômatos com inteligência artificial com felicidade regrada pelo Soma e existência sob poderes impessoal.

Somos máquinas químicas-neuronais, frutos do acaso evolucionário e indo para o vazio ou retornaremos para o estado inorgânico apontado pelo angustiado Freud? Ou algo mais?

Viktor Frankl criticava a psicologia que se pretendia científica  livrando-se da alma e propôs  a logoteoria, reconhecendo  a sede humana por um sentido da vida – marca de sua dimensão imanentemente espiritual, aberta para o transcendente.

Na filosofia e estendendo-se para a psicologia temos a Fenomenologia da vida de Jean-Luc Marion, reagindo à maquinização do humano e tecnização dos relacionamentos com o resgate das experiências primais que respeitam a essência espiritual do humano, um ser marcado pelo Dom  da vida, pelo amor, o que remete a Deus. E Deus não apreensível pela teologia e filosofia, mas pela vivência do amor.

3 – O que é o humano?

Aportes bíblicos: O livro que abre as Escrituras traz-nos a Revelação de Deus, o Eterno, criando a totalidade do existente, do visível e do invisível. O Deus Bíblico não é uma abstração filosófica, Idéia Pura, Absoluta ou uma impessoal Energia Cósmica. É intimamente pessoal,  soberanamente sábio, amoroso e plenamente envolvido com sua criação; projetou-se na vida dos humanos constituídos à sua imagem e semelhança,  conferindo-lhes a mais alta significação, honra e dignidade. O Eterno  inseriu-se na História de maneira particularmente inédita quando fez-se carne, nascendo de Maria, uma mulher palestinense (Jo.1.14 ).

Primeira narrativa: Gn. 1.26 Homem e mulher, Imagem e semelhança da Trindade.  Base primária de nossa identidade, o fundamento antropológico que distingue os humanos como agentes espirituais. Não frutos de um acaso evolutivo impessoal, nem capricho de deuses. Frutos do Desejo divino, portadores de sua marca projetada em nossa  constituição.  Constituição com singular potencia intelectiva, racional e operativa no mundo que  nos qualifica como  espécie  dominante. Não se trata de nenhum preconceito especista  que desconheça a dignidade de outras vidas animais; antes coloca sobre os humanos a responsabilidade de bom governo da terra, de cuidado com o meio ambiente total, de respeito à todas as formas de vida.

Segunda narrativa: Gn. 2.7 Então, do pó da terra [adama], o Senhor formou o ser humano [adam]. O Senhor soprou nas narinas um a respiração de vida, e assim ele se tornou um [Nefesh] ser vivo. Não temos alma. Somos alma.

O barro[adama]  modelado por Deus  [Adam] desde o início aponta nossa existência como essencialmente ligada à biosfera, à terra, coextensivos aos animais e plantas. Mas aspirando o sopro/espírito divino expirado por Deus torna-se distintivamente espiritual, destinado à relação com Deus. Com o pecado [Gn.3] sai do tempo mítico, posto fora do Jardim, lançado na cultura e tempo histórico [cronos o devorador] sujeito aos condicionamentos e  experimenta a morte. Dia-a-dia- impulsionado pela rica instintividade inconsciente. Ser sexual, social, religioso, político e histórico, humanizado através de instâncias socializadoras.

4- Nomenclatura do humano –

Nefesh – Idéia de homem necessitado, faminto [Is. 5.14; Hc 2.5; Pv. 10,3; Sl 107; Jr2.24; Sl 42,2]. Palavra usada para Deus apenas em 3% das ocorrências.

Basar –  O homem efêmero (Gn 17.11-14). poder  limitado. Termo nunca usado para Deus. Carne de animais do sacrifício Levítico.

Ruach – O homem autorizado – noção teoantropológica. Nunca apareceu no Levítico. Instrumento de Javé, ser em movimento [Jó 34.14]. O Ruach se apodera do profeta (Ez. 13.13). É palavra criadora [Sl. 33.6].

Leb – Lebab,   O ser racional : coração, sentimento,  desejo, razão, decisão. Mais frequente expressão bíblica para designar o humano (Sl. 38). Ouvido, língua:  “Como a vida humana é vida racional, o ouvido que escuta e a língua bem orientada são órgãos essenciais do humano”(Wolff).

5- Derivado de sua natureza espiritual, por criação divina, o humano [Adam] apresenta-se como ser-de-razão, sujeito moral, portador de subjetividade, desejante, criativo e capaz de escolhas conscientes, existindo na ordem do simbólico, portador da Imago-Dei. [Adam] ser livre e desejante decaiu de sua condição inicial pela desobediência, com a pretensão de autossuficiência diante do Criador. Colheu a angústia como companheira de história, a cisão psíquica, os conflitos relacionais, a morte (Gn 3). O pecado como tragédia desencadeada pelos humanos é que trouxe a desordem  entre os próprios humanos e na relação com os animais e a natureza criada (Rm 8).

6- Ser-de-pecado, naturalmente destina-se à degradação e a ira futura, a não ser que atravesse o caminho apertado e entre pela porta estreita que lhe conduz à nova vida. Chamados à maturidade, processo sacro e psicodinâmico, segundo Jesus Cristo, o Arquétipo do Humano – o Ecce Homo  proferido por Pilatos – que nos reveste do Novo Humano. A partir de Cristo e de sua ressurreição inicia-se uma nova biologia (Hernández), é renascido e reorientado para a eternidade como nova criatura. Ser escatológico que se plenificará em todas as dimensões à semelhança do Filho de Deus, o Homem Perfeito  – ιδου ο ανθρωπος  (translit: Idou ho anthrōpos –  dito por Pilatos – o Ecce Homo (Jo 19.5) que nos reveste do Novo Humano  gerados com a semente de Deus – Sperma Thou (I Jo.3.9).

Consciente de seus poderes criativos e destrutivos, e os instrumentaliza intervindo em sua própria natureza e no meio ambiente. Consciente da finitude incomoda-se com a morte e aspira a eternidade. A busca da transcendência sempre aparece por meio de interrogações sobre sua identidade (quem somos?), origem (de onde viemos?) e destino (para onde vamos?).

7- Aplicação nas profissões de ajuda. O que fazemos, o que projetamos e criamos, que efeitos produzimos com nosso trabalho?

Em época de apressadas e fragmentadas relações, demandas politizadas, recursos  de saúde desigualmente disponíveis, riscos da impessoalidade técnica e burocrática, disputa vaidosa por status, culto a celebridades, mercantilismo,  condições insalubres de trabalho, remuneração inadequada, qual o diferencial do profissional cristão da saúde?

Profissão – de professio, o que se professa com a vida. O que minha vida constrói e testemunha.  Meu trabalho, minha liturgia, o que realizo para o bem humano e glória de Deus. Não meu tripalium, instrumento de tortura o que me tortura e me contraria, como no sentido pagão do termo. Mas uma dimensão alegre e maduramente assumida de minha semelhança com Deus aquele que trabalha até agora, nas palavras de Jesus.

Isaias 32. 1-4  Sob o reinado do  justo Rei somos príncipes e princesas chamados a ministrar com graça, competência, ternura e responsabilidade, sendo abrigo contra a tempestade e o vento, como rio numa terra seca, sombra no deserto.

Reconhecendo os pacientes como encaminhados por Deus, para nossos cuidados, recebendo-os “como um dos pequeninos de Jesus”, reconhecendo-lhes possuidores da mesma dignidade gloriosa com a qual Deus nos constituiu.

Identificar o sofrimento, a deficiência, a falta e o luto como  experiência única de intimidade com o mistério que cerca nossa existência efêmera. Com empatia contribuir para que ressignifiquem a vida, reconciliem-se com os limites existentes, pratiquem  o perdão, que se abram para o amor.

HOMENAGENS

  • Aos que tem o olhar do samaritano; homens e mulheres que dão exemplo de humanitude em meios religiosos ou laicos: Exército de Salvação, Cruz Vermelha, Renas, Médicos Sem Fronteira, Comunidades Terapêuticas.
  • Aos missionários, cuidadores, voluntários e cada anônimo servo de Cristo nos locais de sofrimento.

Agradecido pela atenção!

Ageu Heringer Lisboa – ageuhl@gmail.com

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Estatuto bíblico do humano

Estatuto bíblico do humano           

Ageu Heringer Lisboa

 

A compreensão acerca do que é especificamente humano é tema de debate nos vários campos do conhecimento Destaque para a filosofia e antropologia filosófica e teológica. Entre muitas correntes encontram-se filósofos que pressupõem uma essência arquetípica eterna do humano (Platão). Divergindo dos essencialistas, tem-se os que afirmam  a existência humana marcada pela história e esta como criadora do humano (Feuerbach, Marx).  Outras construções filosóficas não ignoram esta bipolaridade essencialismo- historicismo e tampouco se fixam no binarismo. Propõem uma abordagem trinitária, com uma tensão mais abrangente e fecunda.

 

Partindo de nossa concretude corpórea, nossa constituição física pressupõe tanto uma diferenciação quanto uma semelhança com outras espécies. Biologicamente tem-se um contínuo filogenético que aponta nossa coextensividade com os animais, com os quais compartilham do mesmo habitat global. Isto revela um princípio econômico,  uma matéria comum, a physis, adama, terra, que compartilham solidariamente. Contudo os humanos se impuseram sobre os demais seres, distinguindo-se soberanamente sobre a terra. E , infelizmente, predatoriamente, colocando em risco a sobrevivência do planeta  e seus moradores. O que fazemos com a terra e a água, com os animais e plantas se reflete sobre o todo o planeta.

 

Uns apontam simplesmente nossa corticalidade como determinante desse status – a redução biologizante evolucionista; outros englobam a corticalidade e a pequena fração de genes diferenciados como traço distintivo do homo sapiens sapiens sim, mas sob a direção do fator espiritual, de ordem simbólica – os criacionistas. O ruah, o nefesh, sopro espírito divino expirado no ser humano desde o início, aponta nossa existência como essencialmente espiritual, condicionada sócio-ambiental- historicamente e potencializada limitada pela rica instintividade. Somos, portanto, seres sexuados, socializados, religiosos, políticos e históricos, humanizado através de instâncias culturais.

 

Derivado de sua natureza espiritual,  apresenta-se como Ser-de-razão, sujeito moral, portador de subjetividade desejante, criativo e existindo na ordem do simbólico. É consciente de seus poderes criativos e destrutivos, e os  instrumentaliza intervindo em sua própria  natureza e no meio ambiente.  Consciente da finitude incomoda-se com a morte e aspira a eternidade. A busca da transcendência tem seus registros desde a pré-história, atravessando os séculos na forma de sonhos, visões, mitologias, rituais. Sempre aparece por meio de interrogações sobre a identidade (quem somos?), origem (como surgimos?) e destino (para onde vamos?). Encontrará, ou criará, variadas respostas ou propostas de sentido, refletindo cosmovisões distintas.

 

Numa perspectiva bíblica, feito à imagem e semelhança do criador, é portador da Imago-Dei. Segundo Ouaknin [Biblioterapia, Ed.Loyola] , o termo Deus e o Humano tem o mesmo peso semântico na gematria hebraica, sinal de dignidade suprema para o humano. Colocado no caminho do passado e do futuro, constrói sua  identidade pessoal continuamente. Esta não é definitiva, fixa, impositiva, kármica, mas infinitiva, futurizável, aberta. Eu ani – eu anoki (mesmidade e mudança). Permanece um horizonte de desenvolvimento do humano, com liberdade, e dentro dos marcos e recursos culturais.

 

Coletivamente na história e individualmente na biografia, cada humano expressa uma dimensão moral ricamente complexa, reveladora do senso de falta e incompletude quanto o  desejo de completude e a justiça. Personalidades individuais e coletivos se mostram com potências ora diabólica, entrópica, violenta,  como portadoras do Mal, ora pacífico, justo, solidário e amoroso, encarnando o Bem. O diabólico e o divino coexistindo.

 

A Casa comum dos humanos, a terra, originalmente o Jardim de Delícias [Gênesis 1], foi trans-tornada numa “terra  que geme e suporta angustias”, até que finalmente seja redimida do cativeiro da corrupção humana [Romanos 8]. Biblicamente, o homem decaiu de sua condição inicial pela desobediência, na  cobiça do saber-poder, buscando firmar-se autonomamente frente ao Criador. Colheu a angústia como companheira de história, a cisão psíquica, os conflitos relacionais, a injustiça sistêmica, a morte. Ser-de-pecado, naturalmente destina-se à degradação e a ira futura, a não ser que atravesse o caminho apertado e entre pela porta estreita que lhe conduz à Nova Vida. A partir de Cristo é renascido e reorientado para a eternidade como nova criatura. Ser escatológico que sera plenificado em todas as dimensões à semelhança do Filho de Deus, o Homem Perfeito.

 

Ageu Heringer Lisboa, psicólogo, mestre em ciências da religião

1903-  ageuhl@gmail.com –  (11) 98322.9203  –  (19) 98115.3780

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Ruinas, reconstrução, coletividade e individualidade

Palavra aos abuenses geração 70-80, sec.XX, reunidos em  Atibaia, SP,  em 23-25 ago. 2013 – Ageu H.L.

Sentidos de um encontro

– Mobilização afetiva, memória, ajustes de imagens passadas com  o presente, estranhamento, surpresa, admiração, constatação de passagem do tempo   sobre  os corpos, histórias de vida entrelaçadas com a história maior, desejo de comunhão, unidade espiritual, amizade.

– Trocas simbólicas, reforço na fé, da esperança e do amor, nascidos e mantidos em Cristo; reforço de identidade cristã. Tempo facilitador para retomada de  tantos bons propósitos tidos na juventude, agora temperados com a maturidade.  Anos contados, atualizações sobre o outro, sínteses do vivido, troca de sabedoria,  e algumas saudades daqueles que já partiram para o Eterno. 

– Betinha, Dionísio Pape,  Sônia e Péricles Couto, Robinson Cavalcanti, John Stott, Mauro das Massas, Wayne Bragg, Karl Lachler …  mais os familiares e amigos queridos. Existências transformadas, trans-as-cendidas, recolhidas pelo Senhor. Ec 12. 5b-9; Sl. 90.12;

– O mundo está maluco ou nós é que estamos mais noutro mundo, desatualizados com certas categorias do presente? Diversificação das formas de perversão e violência, paradoxalmente mais do mesmo, desde o Éden, comprovando diariamente o postulado bíblico da queda, pelo pecado. O individualismo materialista atacado desde a antiguidade pelo profeta Ageu (1.2-9): descuido com o comunitário, familiar até, … “não é tempo de reconstruir o templo … cada um cuida da sua vida” , investimento para aumentar patrimônio, desligados do projeto comum, onde o templo era símbolo da unidade nacional e espiritual.

Algumas provocações do profeta Ageu    Figuras reveladoras: 

*templo em escombros > casas luxuosas de uns, pobreza de outros [1.2-6]. Consequência coletiva de práticas individualisticas: [1.10,11; 2.15-17]. Meus projetos e relações com a comunidade.

*memória e reflexão>  Pensar, analisar, refletir,reconhecer faltas [v.5-7]. Como tem sido minha caminhada na vida? Como me relaciono com Deus? Como sou com os demais? Rm 13. 8-10: “amar é obedecer a toda a lei” O que está desmoronado em mim? em meus relacionamentos?

Que mudanças preciso encarar? [ I Jo 1.7-9].

*construção,  plantação, alimentação, vinho figos, romãs, oliveira [2.18-19].

* Triunfo sobre o mal [2, 21,22].

-A glória dos atos justos e iniciativas éticas  humanitárias dos que honram a humanidade mostrando a imago Dei plena de potencialidades de bondade, justiça, graça, gentileza.

-Perseverança no caminho  Ap. 2.1-7  suportar provas, desafios, em nome do Senhor e perseverar no espírito do primeiro amor, mantendo acesa  chama do Espírito (I Ts 5.19-23), cumprindo até nosso último dia  uma existência esperançosa, abençoadora, e anunciadora da graça de Deus a todos, em Jesus.

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Questões contemporâneas da família, com o olhar da psicologia e da espiritualidade cristã.

Proposta amadurecida a partir de práticas clínicas e de oficinas com pais e educadores realizadas em escolas, igrejas e espaços públicos.

 

No presente contexto sociocultural e espiritual altamente mutante, com violências diversas, muitas famílias  se encontram perplexas, confusas, paralisadas ou mesmo em decomposição. Mais do que  se ater ao olhar crítico, torna-se imperativo clarificar os potenciais de saúde do grupo familiar, olhar com esperança e desenvolver  atitudes bem instruídas capazes de promover sentido e saúde nos relacionamentos. Mais do que discutir o funcionamento e papéis, buscar a imersão no mistério de ser família, conscientizados dos processos de filiação e patermaternidade e os desafios das diferentes etapas do ciclo vital, da gestação à pós-morte.

Objetivos  – Num grupo acolhedor, e dinâmica participativa, possibilitar reflexões e trocas relativas à vida em família, potencializando um senso crítico e de justiça, promovendo a saúde relacional e uma cultura de paz. Oferecer subsídios da psicologia do desenvolvimento e da família; Incentivar atitudes e comportamentos proativos, afetivos e dialogais no casal e entre gerações e agregados; animar o aprendizado da escuta da Palavra de Deus para as situações cotidianas (C. J. Hernández, P.Tournier, K. Wondracek).  

Percurso temático Oferecemos vários temas  para escolha. Cada um deles é articulado com subsídios teóricos e de trocas entre os participantes. Os ministrantes articulam os temas integrando o saber psicológico e de outras ciências com a sabedoria da tradição espiritual bíblica. 

Famílias: Um projeto consciente? As muitas constelações familiares atuais na psicologia laica e na antropologia bíblica.. Resiliência emocional e espiritual. Desejos, impasses e demandas: crise e crescimento.  – Pessoas dependentes de cuidados de longo termo – Enfrentar os impactos desorganizadores. Suporte emocional, social e espiritual para familiares de pacientes com alta dependência em hospitais e residências e mães de UTI.   

Falar de sexo com os filhos – Sentido do amor e da sexualidade numa cultura da diversidade.  Marcos bíblicos, ética pública, sistema educacional laico, corrupção midiática. Autoproteção contra abusos. Maturidade psíquica e espiritual para a sexualidade.

Rituais construtores de sentido para a família. As etapas da vida. O tempo social e doméstico. O sagrado no cotidiano. Valores de escolha. Família como espaço cultural e contracultural.

Patermaternidade: sacrodinâmica e psicodinâmica. Estudo da família José-Maria-Jesus e irmãs e irmãos. O que esta família singular nos ensina sobre constituição familiar, maturação psicológica e identidade pessoal.  

Morte na família: tarefas prévias e póstumas- pois todos devem partir…  Sentidos e assimilação espiritual e emocional da  morte e construção de vida. Enfrentar o tabu e a desinformação e ganhar qualidade de vida. Orfandade e pais substitutos.

Creantiarcado –Tirania dos filhos ou falência parental?   Pré-adolescentes: a descoberta do fogo; capacitando pais a sobreviverem e curtirem a metamorfose familiar. Alianças externas e internas. Dinâmica familiar e desenvolvimento emocional

–  Filhos adultos em casa: complicações, rivalidades, alianças. Quando o deixar pai e mãe encontra-se num impasse. O que não sái; o que volta pós-separação.                                                                                                        

Coordenação: Ageu Heringer Lisboa, CRP 06/09732Psicólogo desde 1974, cofundador do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos -1976 [cppc.org.br] e da Associação Brasileira de Assessoramento e Pastoral Familiar Eirene 1978[Eirene.com.br]. Mestre em Ciências da Religião. Autor na interface psicologia, cultura, cristianismo.  Margarete L. Bonuccelli H.Lisboa, CRP 06/34346-0  psicóloga clínica, terapeuta de crianças, adolescentes, e adultos. Argilina. Dirige vivências terapêuticas em grupo e assessora pais.

Contatos: ageuhl@gmail.com – F. Tim 19.98115.3780 – 11.5579.5475 

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